Prazer, Vento
Sou o vento. Um vento nem fraco, nem forte, apenas um vento. Quando passo, às vezes me perguntam por ande ando, mas não respondo. Ando por todos os lugares, assim, nunca terminaria minha resposta. Mesmo sendo transparente, as pessoas podem me ver, ou melhor, ver o que faço; balançando os galhos das árvores, fazendo o bambu fremer.
Certo dia, estava ventando em um campo, e um tal de Van Gogh me viu e acabou pintando um quadro. Nele, estou eu a balançar o trigo dourado e a esvoaçar os pequenos arbustos, só para ver seus tons de verde se misturarem. Também fiz alguns ciprestes realizarem uma leve reverência. Van Gogh também mostrou o que fiz com as nuvens e com as montanhas.
Que lindo quadro aquele! Muitos pintores fizeram quadros comigo, mas o meu favorito é aquele. Se tivesse uma casa, o levaria comigo para pendurá-lo em minha parede, mas nunca poderia tê-lo. Nunca estou parado. Estou sempre em movimento. Afinal, sou o vento.